Para amarrar o barco numa boia de fundeio sem âncora, aproxime-se com a proa contra o vento ou a corrente, tome a argola ou a espia da boia com um gancho de manobra, passe por ela um cabo de pega e leve por ele o cabo de amarração até o cunho de proa. Só então feche o nó e confira a folga. Antes de tudo, verifique se a boia está em bom estado e se o local permite o uso, porque a presença de uma boia não garante, por si só, que ela possa ser usada. O procedimento abaixo explica cada etapa, os materiais e os limites de segurança.
O que é uma boia de fundeio e quando ela substitui a âncora?
Uma boia de fundeio é um flutuador ligado por corrente, espia ou cabo a um peso assentado no fundo, como uma poita ou um bloco de concreto. Ela permite que o barco fique preso sem lançar a própria âncora, o que poupa o fundo, reduz o risco de arrasto em áreas de muitas embarcações e dispensa o trabalho de recolher âncora e amarra. Use-a quando estiver livre, visível e em aparente condição de uso.
Ao se aproximar, observe o estado da argola ou da espia, a presença de outros barcos amarrados, o espaço de giro disponível e a profundidade do local. Se qualquer ponto parecer duvidoso, a escolha mais segura é fundear com a própria âncora em área adequada.

Como amarrar o barco à boia sem âncora?
Os passos a seguir supõem um barco com comandos ao alcance do timoneiro e pelo menos duas pessoas a bordo, uma na proa e outra no comando.
- Leia o vento e a corrente antes de se aproximar. Escolha a abordagem em que a proa fique contra os dois, com espaço livre para sair caso a primeira tentativa falhe.
- Prepare o cabo de pega: uma linha leve e flutuante, com alça na ponta, pronta na proa. Ele serve para tomar a boia e poupa o cabo de amarração, que será o cabo de fato preso por horas.
- Chegue devagar, em marcha lenta, e pare o barco ao lado da boia, com a proa na altura da argola. Evite choques da proa ou da popa contra a boia.
- Tome a argola ou a espia com o gancho, sem forçar a peça além do que ela aguenta. Passe a alça do cabo de pega pela argola e traga a linha para o cunho.
- Com o cabo de pega firme, passe a ponta do cabo de amarração pela argola e leve-a ao cunho de proa. Ajuste o comprimento para que a boia fique a uma distância que permita ao barco girar com o vento e a corrente sem encostar na boia nem em outro barco.
- Feche a amarração com um nó firme e fácil de desfazer, confira a folga e só então libere o cabo de pega, que pode ficar como segunda linha quando as condições pedirem.
- Observe o barco por alguns minutos. Se ele arrastar, girar de forma brusca ou forçar a boia, refaça a amarração ou saia do local.
Por que o cabo e o nó escolhidos importam?
O cabo de amarração deve ser resistente o bastante para o porte do barco e para as condições do local. A integridade é o primeiro ponto a conferir: fios cortados, cordoalha desfiada ou capa rasgada indicam que o cabo deve ser trocado ou usado apenas como cabo auxiliar. Cabos trançados com capa costumam resistir melhor ao desgaste do que os de fio torcido, porque a capa protege o núcleo contra abrasão e radiação ultravioleta.
Quanto ao nó, o critério prático é usar um que segure sob carga e que se desfaça depois de um esforço forte. Todo nó reduz a resistência do cabo, e em uma argola metálica ele tende a deslizar. Por isso, para unir o cabo a uma argola, uma manilha costuma ser mais segura. Para amarrar em cunho ou bita, a volta do fiel com dois cotes é a escolha clássica. O nó de cadeira forma uma alça fixa, e o nó de escota une dois cabos de diâmetros diferentes.
A carga real depende do peso do barco, do vento e da corrente. A capacidade da boia só pode ser avaliada pela documentação do fabricante ou do responsável pela instalação. Sem essa informação, não use a boia para um barco maior do que aparenta suportar.
Como proteger cabo e casco contra o atrito?
O atrito é uma das causas mais comuns de falha em amarrações longas. Onde o cabo passa pela argola, pela guia de proa ou por uma borda com arestas, coloque proteção de borracha, mangueira grossa ou capa de tecido, e troque-a quando estiver gasta. Observe também o ponto de contato quando o barco balança: se o cabo roça a cinta de proteção do casco ou a própria boia, mude a posição do cabo.
No casco, use defensas entre o costado e a boia sempre que houver contato possível, principalmente com vento de través ou com ondas. Ao final da permanência, inspecione o cabo de ponta a ponta antes de voltar a usá-lo.

Quem responde pela boia e quais regras valem?
Essa é a parte que mais exige cuidado, porque as regras sobre boias de amarração são de competência da Autoridade Marítima e variam conforme a área. Pela NORMAM-211/DPC, aprovada pela Portaria DPC/DGN/MB nº 200, de 27 de fevereiro de 2026, a Marinha do Brasil regula as atividades de esporte e recreio, com base na Lei nº 9.537/1997. As fontes oficiais consultadas não especificam, nessa norma, os requisitos de instalação ou de manutenção de boias de amarração particulares.
O tema aparece também na NORMAM-11/DPC, no item 0215, intitulado «estabelecimento de boias de amarração de embarcações de pesca e esporte e/ou recreio». Para este artigo, apenas o título desse item foi verificado; o texto integral deve ser consultado na versão vigente.
A fiscalização existe na prática. No Saco da Capela, em Ilhabela, a Marinha retirou 38 poitas durante uma fiscalização de boias de amarração. As restrições locais também podem ser mais duras: a Capitania Fluvial de Santarém, pela Portaria nº 18/CFS, de 4 de março de 2026, proibiu o fundeio e a instalação de boias para embarcações e estruturas flutuantes em trechos dos rios Tapajós e Amazonas. Essa portaria vale somente para as áreas que ela indica.
Antes de usar uma boia que você não conhece, pergunte à Capitania, à Delegacia ou à Agência da região se ela está regularizada e se há restrição de uso. As fontes oficiais consultadas não especificam quem responde pela manutenção de boias particulares, por isso não presuma que alguém a inspecionou.
Quais erros evitar ao tomar a boia?
- Chegar de popa ou de través, sem considerar o vento e a corrente, o que faz o barco girar sobre a boia e bater nela.
- Tomar a boia com o cabo de amarração em vez do cabo de pega, o que pode sujar ou arranhar o cabo principal.
- Deixar sobra de cabo solta na água, que pode entrar na hélice. Recolha ou prenda o excesso no cunho.
- Confiar em um nó simples sem conferir a folga, ou prender o cabo apenas com um laço que pode escapar.
- Amarrar perto de outro barco sem folga suficiente, o que transfere esforços e aumenta o risco de abalroamento.
- Ignorar a previsão do tempo. Vento que aumenta ou rajadas podem tornar a permanência arriscada em pouco tempo.
Quando e como soltar o barco com segurança?
Solte somente quando o barco tiver condições de manobrar. Ligue o motor e deixe-o em marcha lenta, com o leme e os comandos prontos, e peça a alguém que se posicione na proa. Aproxime o barco da boia para aliviar a tensão do cabo, afrouxe o nó do cunho e, se usou cabo de pega, traga a argola de volta por ele. Recolha a linha aos poucos, mantendo a ponta longe da hélice e do alcance da tripulação.
Se o cabo estiver emperrado ou a boia se mover de forma anormal, não force. Mantenha o barco controlado em marcha lenta e, se necessário, peça ajuda pelo canal 16 do VHF, de chamada e emergência.
Perguntas frequentes
Posso deixar o barco sozinho preso à boia?
Evite. O vento pode mudar, a boia pode ceder e o barco pode bater em outras embarcações. Se precisar se afastar, saia do local e volte depois, com o barco preparado.
O que fazer se a boia estiver danificada ao chegar?
Não amarre. Informe a Capitania, a Delegacia ou a Agência da região, com a localização da boia, e escolha outra opção segura, como fundear com a própria âncora em área adequada.
Posso usar uma boia à noite?
Só se ela estiver visível e você conseguir fazer a manobra com segurança, com as luzes de navegação acesas e iluminação suficiente para o cabo e a boia. Em dúvida, espere a claridade.
Qual é a diferença entre poita e boia de fundeio?
A poita é o peso assentado no fundo; a boia é o flutuador na superfície que sinaliza o ponto e recebe o cabo. As duas peças formam um conjunto, e a poita é a que segura o sistema.