Para lubrificar esticadores e cadeiras do mastro, aplique graxa ou pasta antiengripante somente nas roscas expostas, nos pinos e nas articulações que se movem, mantenha as superfícies de contato limpas e secas e evite produtos líquidos ou pegajosos em trilhos e canais do mastro. Antes de mexer em qualquer peça, confirme que o mastro está seguro e que a tensão do aparelho fixo foi controlada. Nas seções seguintes, veja o que lubrificar, como fazê-lo passo a passo, quais produtos evitar, com que frequência revisar e quando a peça deve ser trocada.
Por que lubrificar esticadores e cadeiras?
Os esticadores (também chamados de tensores) regulam a tensão dos cabos que sustentam o mastro, e as cadeiras são as peças que ligam esses cabos ao casco ou ao convés. Quando as roscas e os pinos ficam secos, o atrito aumenta, a regulagem fica dura e o metal em contato direto pode engripar, principalmente quando dois metais diferentes se encontram, como aço inoxidável e bronze. Em regra, a lubrificação facilita o ajuste e reduz esse risco. Ela não corrige folga, trinca ou corrosão já instaladas e não substitui a inspeção.

O que lubrificar e o que deixar seco?
Lubrifique as roscas expostas do esticador, que são percorridas no ajuste, os pinos e os terminais articulados. No trilho do mastro, a parte externa metálica é a que recebe lubrificante de deslizamento. A cadeira, em geral, é fixada ao casco com vedante na instalação. Por isso, não aplique graxa ou penetrante na área de contato entre a base da cadeira e a estrutura, pois isso pode impedir a vedação e mascarar infiltrações. Se houver dúvida sobre a vedação original, consulte a orientação do fabricante do conjunto antes de qualquer intervenção.
Como lubrificar esticadores passo a passo?
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Reduza a tensão do cabo apenas o necessário para girar o corpo do esticador com a mão ou com ferramenta adequada. Não afrouxe totalmente um cabo de sustentação: com o mastro armado, a tensão equilibra a estrutura, e alterações bruscas num só lado podem deformar o mastro. Se o ajuste exigir vários cabos, faça-o de forma gradual e alternada, como indicado pelo fabricante.
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Retire o contrapino ou a trava de segurança. Ao final, use um contrapino novo, porque os reaproveitados perdem eficácia.
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Limpe as roscas com pano e solvente compatível com o metal, removendo sal, areia e restos de lubrificante antigo.
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Inspecione roscas, pinos e garfos, procurando desgaste, rebarbas, corrosão e folga. Os critérios de troca estão na última seção.
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Aplique pasta antiengripante ou graxa nas roscas expostas e nos pinos. As fontes oficiais consultadas não especificam um produto único para roscas de inox; confirme a indicação na ficha do fabricante do esticador.
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Regule o comprimento e confirme que a rosca fica engatada dentro da marcação indicada pelo fabricante. Trave, instale o contrapino novo e verifique se o corpo não gira sozinho sob carga.
Como cuidar de trilhos e roldanas do mastro?
No trilho externo, o teste de atrito publicado pela Practical Sailor (2003) apontou a cera de vela como opção de bom desempenho sobre metal. Antes de aplicar, arredonde com lixa fina as arestas vivas, sobretudo os cantos internos, que recebem mais carga e são os pontos mais prováveis de travamento. Essa correção é feita uma vez em trilho novo e retocada a cada temporada.
No canal interno, mantenha a superfície limpa e lisa. A mesma fonte indicou cera automotiva não abrasiva, aplicada com pano enrolado em uma linha de puxar. Retire a «lama do mastro», mistura de lubrificante, sujeira e alumínio oxidado que se acumula no canal e trava as corrediças. Corrediças plásticas lascadas ou deformadas devem ser trocadas.
Nas roldanas de topo presas por corrosão, Don Casey, em coluna da Sail Magazine (2010), sugere um penetrante e manter as bordas da área corroída sempre molhadas. Com o mastro armado, isso significa reaplicar semanalmente, a partir do topo. Como subir ao mastro exige equipamento e um auxiliar, prefira trabalhar com o mastro baixado sempre que possível. No procedimento descrito, retire os pinos, passe um cabo pelo centro da roldana para segurá-la e bata na borda com martelo de borracha. Se houver resistência, use uma espátula entre a roldana e a superfície presa e, se os pinos não saírem, dê volta em uma linha resistente de baixo alongamento e puxe com cuidado, sem forçar além do que o cabo e a peça suportam. O próprio autor admite que liberar a roldana pode não ser possível e recomenda paciência.

Quais lubrificantes evitar e por quê?
No mesmo teste de 2003, os géis ficaram úmidos por horas e não secaram totalmente após 24 horas, o que é inconveniente no mastro, onde respingos caem sobre velas e convés. Sprays de uso geral e óleos líquidos tendem a escorrer e a reter sujeira, formando a lama que trava o canal. Penetrantes servem para soltar peças corroídas, mas não devem ser o lubrificante permanente: depois de liberar a peça, limpe o resíduo e aplique o produto de manutenção indicado. O teste de 2003 mediu atrito de deslizamento, não desgaste, e os produtos mudam de formulação. Confira a ficha técnica atual antes de comprar.
Com que frequência fazer a revisão?
As fontes oficiais consultadas não especificam um intervalo para esticadores e cadeiras. Como orientação prática, inspecione e relubrifique ao montar e desmontar o aparelho, depois de navegar em água salgada e antes de cada temporada. Trilhos e canais pedem retoque a cada temporada, segundo o teste de 2003. A reaplicação semanal descrita por Don Casey (2010) refere-se ao caso específico de roldana corroída com o mastro armado e não deve ser tomada como regra para todos os componentes. Após tensionamentos com carga elevada ou exposição a tempo severo, faça uma nova inspeção visual.
Quando trocar em vez de lubrificar?
Lubrificar não resolve tudo. Troque a peça quando:
- a rosca estiver deformada, desgastada ou com falhas que impeçam o engate correto;
- houver trincas, corrosão em pite ou corpo do esticador deformado;
- os pinos ou terminais apresentarem folga perceptível;
- o esticador ou a roldana continuar travado mesmo após limpeza e penetrante, exigindo força excessiva para soltar;
- as corrediças plásticas do canal estiverem lascadas ou deformadas.
Em caso de dúvida sobre a resistência de uma peça do aparelho fixo, não a utilize. Consulte o fabricante ou um profissional de cordoaria e aparelhos antes de voltar a navegar.
Perguntas frequentes
Posso usar óleo de motor nas roscas do esticador?
As fontes oficiais consultadas não avaliam óleos de motor para esse uso. Antes de usá-lo, confirme na ficha do fabricante do esticador.
Graxa de lítio serve para trilhos de mastro?
As fontes consultadas não avaliam graxas de lítio para trilhos. Na dúvida, siga a orientação do fabricante do mastro.
Quem deve subir ao topo do mastro para lubrificar as roldanas?
Somente quem tenha equipamento de subida adequado, cadeirinha, cabo de segurança e um auxiliar em terra. As fontes consultadas não detalham esses procedimentos de segurança, por isso busque orientação especializada antes de subir.
A cera de vela funciona em qualquer trilho de mastro?
O teste de 2003 indicou bom resultado no trilho metálico externo, não necessariamente em outros materiais ou canais. As fontes consultadas não avaliam outros tipos de trilho.