Para marcar rumo e distância numa carta náutica impressa, traça-se a linha entre a posição de origem e o destino com lápis e régua, lê-se o ângulo em relação ao norte verdadeiro na rosa-dos-ventos e registra-se o valor com três dígitos seguidos de «°T». A distância sai da escala de latitude da margem, lida na latitude do próprio trecho, porque um minuto de latitude equivale a uma milha náutica. Para chegar ao rumo que a bússola vai seguir, converte-se o verdadeiro em magnético, subtraindo a declinação magnética quando ela é leste e somando quando é oeste. As etapas abaixo seguem essa ordem e destacam os pontos de atenção de cada uma.

Quais materiais usar para plotar?

Para o traçado, bastam lápis de ponta fina, borracha macia, régua paralela ou plotter, compasso de pontas e uma calculadora simples. Antes de começar, confirme que a carta é a edição vigente. Segundo a página de cartografia náutica da Marinha no gov.br (última modificação em 15/10/2026), a carta impressa é atualizada até o Aviso aos Navegantes mais recente na data da compra. Uma carta antiga pode ter balizamento, profundidades ou sinalização já alterados, e nenhum cálculo corrige essa defasagem.

Quais materiais usar para plotar?

Por que o rumo traçado na carta é o verdadeiro?

Os meridianos da carta apontam para o norte verdadeiro, o polo geográfico. A bússola, porém, aponta para o norte magnético, que se desloca em relação ao geográfico segundo a declinação magnética, valor que muda de lugar para lugar e com o tempo. Por isso, o traçado sobre a carta sempre fornece rumo verdadeiro, indicado pela letra T. Antes de governar o barco, esse valor precisa ser convertido em rumo magnético (M) e, em seguida, corrigido pelo desvio próprio da embarcação, que dá o rumo de agulha. Os três valores não se confundem, e trocá-los é uma das causas mais comuns de erro de governo.

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Como traçar e ler o rumo com o plotter?

Siga a sequência abaixo, sempre com o cuidado de manter a régua imóvel enquanto lê o ângulo:

  1. Localize a origem (A) e o destino (B) e marque os dois pontos com uma pequena cruz.
  2. Ligue A a B com um traço leve, para poder apagar sem deixar marcas definitivas.
  3. Posicione o centro do plotter, ou a régua paralela, sobre o traço, de modo que a borda passe por A e por um meridiano ou pela rosa-dos-ventos.
  4. Leia o ângulo na graduação do transferidor. Muitas cartas trazem mais de um círculo na rosa. Identifique na legenda da própria carta qual deles corresponde ao norte verdadeiro.
  5. Registre o valor com três dígitos. Rumos menores que cem recebem zero à esquerda: 045°T, por exemplo.

Como converter o rumo verdadeiro em magnético?

A conversão usa a declinação magnética, também chamada de variação magnética, que a rosa-dos-ventos da carta costuma informar junto com o ano da medição e a variação anual. Primeiro, atualize o valor para a data da navegação: a declinação atual é igual à informada somada à variação anual multiplicada pelo número de anos decorridos, respeitando o sinal de cada uma. Depois, aplique a fórmula: rumo magnético é igual ao rumo verdadeiro menos a declinação, com a declinação positiva para leste e negativa para oeste. Se o resultado for negativo, some 360° para obter o valor entre 0° e 360°.

Um exemplo ilustrativo, que não representa uma região real, ajuda a fixar o sinal: com declinação de 7° leste e rumo verdadeiro de 120°, o rumo magnético é 113°M. Com declinação de 7° leste e rumo verdadeiro de 5°, o cálculo dá menos 2°, que corresponde a 358°M.

Para conferir a declinação de uma data, o Observatório Nacional, responsável pelo acompanhamento do campo geomagnético no Brasil, oferece levantamento de declinação magnética, conforme a página de dados geomagnéticos no gov.br (última modificação em 15/12/2025). Calculadoras de declinação por data e coordenada, como a da NOAA, servem como conferência técnica, mas não substituem o valor da carta de origem.

Como medir a distância na escala de latitude?

Abra o compasso de pontas entre A e B, sem alterar a abertura, e leve-o à escala de latitude da margem. A latitude é graduada em minutos de arco, e cada minuto corresponde a uma milha náutica, de modo que a leitura já sai em milhas. Use o trecho da escala situado na latitude da perna, porque, em cartas de grande extensão norte-sul, a distância entre os paralelos não é constante. Em trajetos longos, que atravessam muitas latitudes, divida a perna em segmentos menores, meça cada um e some os resultados. A milha náutica vale 1 852 metros, cerca de 1,852 quilômetro, o que permite converter a leitura quando for preciso.

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Como medir a distância na escala de latitude?

Quando a escala numérica deixa de valer?

A escala numérica, como 1:50 000, só é exata na impressão original da carta. Ampliações e reduções alteram a proporção, e a leitura feita sobre a cópia passa a estar errada. A escala gráfica, a barra graduada em milhas e, quando houver, em quilômetros, continua válida, porque é redimensionada junto com o restante da carta. Por isso, em cópias, meça sempre pela barra gráfica. Como verificação, compare a barra com a escala de latitude: se as duas leituras divergirem, a cópia tem distorção e não deve ser usada para plotagem.

Como anotar rumo e distância na perna?

Ao lado do traço, registre a origem, o destino, o rumo verdadeiro, a declinação usada com o ano de referência, o rumo magnético, a distância em milhas e a hora da marcação. Anote também a data da declinação, porque o valor muda com o tempo. Escreva de forma legível, para que outra pessoa a bordo consiga conferir o cálculo sem depender da sua memória.

Quais erros evitar ao plotar?

  • Inverter o sentido da conversão ou trocar o sinal do leste e do oeste.
  • Medir a distância na escala de longitude, que varia com a latitude e induz a erro.
  • Usar uma declinação de outra carta, de outro ano ou sem a variação anual.
  • Aplicar a escala numérica sobre uma cópia ampliada ou reduzida.
  • Esquecer o desvio próprio da bússola, que não consta na carta.
  • Ignorar o datum. Para as cartas matriciais, a página da Marinha no gov.br recomenda o datum WGS-84 no receptor GPS e no software de exibição; diferenças de datum podem deslocar a posição sobre a carta.

Como conferir o traçado com segurança?

Meça o rumo duas vezes e confira a distância por um segundo método, como o total de segmentos ou a posição do GPS comparada com a linha traçada. Em trechos com perigos, como baixios e pedras, nunca governe apenas por um traçado não conferido. Mantenha a referência visual, a sondagem e os alinhamentos da própria carta. Quando a diferença entre a posição calculada e a observada for maior que o esperado, pare, reconfira a declinação e a carta antes de prosseguir. A carta impressa deve estar sempre a bordo como recurso de reserva, mesmo quando o equipamento eletrônico estiver funcionando.

Perguntas frequentes

A conversão de rumo serve para ler o rumo no GPS?

Não diretamente. Equipamentos diferentes apresentam rumo verdadeiro, magnético ou sobre o fundo, e a configuração depende do aparelho. Consulte a documentação do fabricante antes de comparar valores.

Qual a diferença entre carta impressa e carta matricial para plotagem?

A carta matricial é a versão digitalizada e georreferenciada da carta de papel. Segundo a página de cartografia da Marinha no gov.br, ela não substitui a carta impressa atualizada.

Onde encontro o desvio da bússola do meu barco?

O desvio é próprio de cada embarcação e de cada instalação da bússola, por isso não aparece na carta. Ele consta da tabela de desvios levantada na calibração da bússola. O Observatório Nacional oferece calibração de rosa-dos-ventos, e a documentação do fabricante da bússola orienta o procedimento.

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