A tábua de marés da Marinha do Brasil é a publicação oficial que indica, dia a dia, os horários e as alturas previstas da preamar (maré alta) e da baixa-mar (maré baixa) em portos e pontos de referência da costa brasileira. Segundo a Marinha do Brasil (2026), a edição de 2026 cobre 44 portos, além de ilhas, barras e fundeadouros. Use-a para planejar saídas, travessias de barras e fundeios, sempre lembrando que os valores são previsões da maré astronômica, e não medições do nível do mar no momento em que você estiver na água.

O que é a tábua de marés da Marinha?

Trata-se de um calendário anual elaborado pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), organização da Marinha do Brasil responsável pela informação de marés. As previsões são obtidas por previsão harmônica, método que combina componentes astronômicas do movimento do Sol e da Lua a partir de longas séries de observações do nível do mar. Por isso, a tábua reproduz a maré astronômica, e os efeitos meteorológicos ficam de fora.

A publicação é anual, e a edição de 2026 é a 63ª da série. Não confunda com as tábuas derivadas que institutos de pesquisa reproduzem para trechos específicos da costa. Segundo o Instituto Oceanográfico da USP (2024-2025), suas tábuas de Ubatuba, Santos e Cananéia usam as cartas náuticas da Diretoria de Hidrografia e Navegação. Mesmo assim, a edição da Marinha continua sendo a referência oficial para a navegação.

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O que é a tábua de marés da Marinha?

Quem publica e onde consultar a edição oficial?

A consulta à previsão de cada porto é gratuita no site da Marinha do Brasil, na área de tábuas de maré do CHM: basta escolher a estação e a data. A versão impressa da publicação é vendida no Posto de Vendas da EMGEPRON, situado na Base de Hidrografia da Marinha, em Niterói.

Antes de usar qualquer dado, confirme três pontos: o ano da edição, o nome exato do porto de referência e a data do dia de navegação. Uma tabela de outro ano, copiada de um aplicativo antigo ou de um blog, pode estar desatualizada ou errada.

Como ler horários e alturas da maré?

Cada porto tem um quadro com os dias do mês e, para cada um, os instantes e as alturas de cada preamar e baixa-mar. Três regras evitam erros comuns.

Primeiro, os horários estão em hora legal do fuso da localidade. As tábuas trazem a instrução de somar uma hora onde o horário de verão estiver em vigor, mas o Decreto nº 9.772 (2019) encerrou o horário de verão em todo o país. Na prática, confirme nas notas da própria edição se a instrução permanece e ajuste o relógio de bordo à hora legal local.

Segundo, as alturas são referidas ao nível de redução (NR) adotado nas cartas náuticas do porto. Para um ponto de sondagem da carta, a profundidade disponível é a profundidade indicada na carta somada à altura da maré prevista naquele instante. Não misture esse cálculo com outro nível de referência, como uma cota medida por GPS ou a altura de um píer.

Terceiro, para instantes entre uma preamar e uma baixa-mar, a altura pode ser estimada por interpolação linear, como primeira aproximação. A estimativa perde precisão quando a maré muda rapidamente e não substitui a consulta ao quadro do dia.

Como ler horários e alturas da maré?

Por que a tábua importa para a segurança?

A tábua permite escolher o momento para atravessar uma barra, aproximar-se de um canal raso ou fundear com folga. Em muitas barras, a profundidade varia muito com a maré: a travessia é mais viável perto da preamar, e o risco de encalhe aumenta na baixa-mar.

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Considere também que o vento e a pressão atmosférica alteram o nível real. Vento soprando em direção à costa e pressão baixa tendem a elevar o nível; vento de sentido contrário pode rebaixá-lo. Em dias de frente fria ou de ressaca, a diferença entre a previsão e o observado pode ser suficiente para anular a folga calculada. As fontes oficiais consultadas não especificam uma correção padrão para esses efeitos.

Quando a tábua não basta?

A tábua não substitui a observação local. Antes de entrar numa barra ou num canal raso, compare a previsão com a régua ou com as marcas de nível visíveis no local, como pilares, muros e escadas, e confie no que você observa. Se o nível estiver abaixo do previsto, reduza a margem ou adie a travessia. Consulte também os avisos aos navegantes e a carta náutica vigente, porque obras, assoreamento e mudanças de balizamento alteram a profundidade real.

Para pontos que não constam da edição, não aplique a previsão de outro porto sem uma correção validada. As fontes oficiais consultadas não especificam o procedimento de correção para esses pontos; nesse caso, use a carta náutica vigente e mantenha margem maior.

Se a embarcação tocar o fundo, desligue o motor antes de qualquer manobra, verifique o casco, a hélice e a tomada de água, e só retome a navegação quando conhecer a profundidade real do canal e a maré estiver subindo. Não force a embarcação para sair de um banco de areia.

Perguntas frequentes

A tábua da Marinha do Brasil serve para portos de outros países?

Não. A publicação cobre a costa brasileira. Para portos estrangeiros, use a publicação oficial do país em que você navega.

Posso levar uma cópia impressa da tábua a bordo?

Sim, desde que seja a edição do ano em curso e a página do porto e dos dias da viagem. Uma cópia impressa da edição oficial é a alternativa mais segura quando não há sinal de internet.

Posso enviar à Marinha informações sobre a maré observada?

Sim. A Marinha pede aos navegantes que enviem ao Centro de Hidrografia da Marinha informações úteis para corrigir ou aprimorar as tábuas, pelos canais indicados no site oficial.

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